terça-feira, 26 de novembro de 2013

Devaneios VIII

Se não era o que supunhas
Por que deixaste aqui comigo
Tua pele (que castigo!)
Debaixo das minhas unhas?

Devaneios VII

Não me falta teu carinho,
Acabaram meus apelos:
Passei gelo nos cotovelos,
Roubei mais garrafas de vinho.

Devaneios VI

Que raiva me dá
Ser esquecida na gaveta.
Se queres me guardar
Me deixa brincar
Presa à tua cueca.

Devaneios V

Pintei as unhas e os lábios
Desgrenhei o cabelo
Terminei aquele livro
Substituí o vício
Hoje cultivo tulipas
Pus, no caminho, setas
Comprei fronhas novas
E não compreendo direito
Por que nem desse jeito
Tu não voltas.

domingo, 24 de novembro de 2013

Devaneios IV

Eu, lacônica
Tu, rarefeito
Eu à espera
Tu te demoras
Brasa áspera
Divina cólera
Irônica história:
Vens e acaloras
Embora suspeito
Sempre retornas
Antagônico e perfeito.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Devaneios III

Olha
o que me fazes
Estraçalha
teus impasses
Filha
dos teus dedos
Velha
E em enlevo
É navalha
tua cobiça
Ajoelha
ante meu âmago
Falha
mas faz afago
Minha virilha:
Tua missa.

Zanga
Briga
Grita
Mete
Liga
Desliga
Promete

Só por favor, meu bem
Não para
Não sara
Não nega:
Pega
Trabalha
Espalha
Mergulha
Molha

Canalha.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Devaneios II

Para minhas coxas abstinentes
Meu desjejum cabe
Na violência dos teus dentes.

Devaneios I

Se à minha dor não podes ser complacente
Rasga minha roupa de uma vez
Faz do nosso amor aborto
Executa tua quimera indecente
Aproveita-te da minha embriaguez:
Eu não me importo.