Se preferes a distância
Se secaram tuas folhas
Vem só buscar o que sobrou
Fico bem cá no frio.
Põe na mala tua ganância
Leva logo as tuas tralhas
E tudo teu que aqui ficou
Inclusive este vazio.
domingo, 22 de dezembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Devaneios VIII
Se não era o que supunhas
Por que deixaste aqui comigo
Tua pele (que castigo!)
Debaixo das minhas unhas?
Por que deixaste aqui comigo
Tua pele (que castigo!)
Debaixo das minhas unhas?
Devaneios VII
Não me falta teu carinho,
Acabaram meus apelos:
Passei gelo nos cotovelos,
Roubei mais garrafas de vinho.
Acabaram meus apelos:
Passei gelo nos cotovelos,
Roubei mais garrafas de vinho.
Devaneios VI
Que raiva me dá
Ser esquecida na gaveta.
Se queres me guardar
Me deixa brincar
Presa à tua cueca.
Ser esquecida na gaveta.
Se queres me guardar
Me deixa brincar
Presa à tua cueca.
Devaneios V
Pintei as unhas e os lábios
Desgrenhei o cabelo
Terminei aquele livro
Substituí o vício
Hoje cultivo tulipas
Pus, no caminho, setas
Comprei fronhas novas
E não compreendo direito
Por que nem desse jeito
Tu não voltas.
Desgrenhei o cabelo
Terminei aquele livro
Substituí o vício
Hoje cultivo tulipas
Pus, no caminho, setas
Comprei fronhas novas
E não compreendo direito
Por que nem desse jeito
Tu não voltas.
domingo, 24 de novembro de 2013
Devaneios IV
Eu, lacônica
Tu, rarefeito
Eu à espera
Tu te demoras
Brasa áspera
Divina cólera
Irônica história:
Vens e acaloras
Embora suspeito
Sempre retornas
Antagônico e perfeito.
Tu, rarefeito
Eu à espera
Tu te demoras
Brasa áspera
Divina cólera
Irônica história:
Vens e acaloras
Embora suspeito
Sempre retornas
Antagônico e perfeito.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Devaneios III
Olha
o que me fazes
Estraçalha
teus impasses
Filha
dos teus dedos
Velha
E em enlevo
É navalha
tua cobiça
Ajoelha
ante meu âmago
Falha
mas faz afago
Minha virilha:
Tua missa.
Zanga
Briga
Grita
Mete
Liga
Desliga
Promete
Só por favor, meu bem
Não para
Não sara
Não nega:
Pega
Trabalha
Espalha
Mergulha
Molha
Canalha.
o que me fazes
Estraçalha
teus impasses
Filha
dos teus dedos
Velha
E em enlevo
É navalha
tua cobiça
Ajoelha
ante meu âmago
Falha
mas faz afago
Minha virilha:
Tua missa.
Zanga
Briga
Grita
Mete
Liga
Desliga
Promete
Só por favor, meu bem
Não para
Não sara
Não nega:
Pega
Trabalha
Espalha
Mergulha
Molha
Canalha.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Devaneios I
Se à minha dor não podes ser complacente
Rasga minha roupa de uma vez
Faz do nosso amor aborto
Executa tua quimera indecente
Aproveita-te da minha embriaguez:
Eu não me importo.
Rasga minha roupa de uma vez
Faz do nosso amor aborto
Executa tua quimera indecente
Aproveita-te da minha embriaguez:
Eu não me importo.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Quando tu te pões em discrepância àquilo que me fiz para te impressionar, tu te fazes distante daquilo que te sonho. E quando deixas de ser sonho, encerras o que almejei. Mostrar-te nunca mais? Pudera eu voltar ao tempo em que tu te exibias e me afirmavas... ao menos me olhavas nos olhos. Hoje sequer me olhas de frente.
Quando tu não me olhas de frente, sinto como morrer. Morrem os livros à mão, minhas roupas e meus sapatos, a maquiagem que dispus para tua admiração, os olhos que ensaiei para te desertar. Os meus "ais"não clamam sequer mais pelos teus beijos por cada pedaço de meu corpo, eles somente pedem que minha voz se faça sã a estes delírios, a estes clamores. Se tu me ouvisses agora, velho novo amor meu, eu te cantaria por todas essas orquestras ditadas, as que ouves. Eu cessaria de te fazer música apenas entre a boêmia, eu te gritaria em minhas palavras expostas, não mais as de soberba e orgulho.
Se tu finalmente te fizesses homem em meu leito e me cobrisses com tua cálida pele (ah, essa pele!), eu te faria acolhimento e cuidado. Se tu te fizesses ao menos sorrir por entre meus anseios, eu te faria gargalhada natural e descanso de ideias. Eu te faria meu. Eu te faria feliz.
Eu prometo.
P. S.: mais um devaneio ébrio e sem memórias.
Quando tu não me olhas de frente, sinto como morrer. Morrem os livros à mão, minhas roupas e meus sapatos, a maquiagem que dispus para tua admiração, os olhos que ensaiei para te desertar. Os meus "ais"não clamam sequer mais pelos teus beijos por cada pedaço de meu corpo, eles somente pedem que minha voz se faça sã a estes delírios, a estes clamores. Se tu me ouvisses agora, velho novo amor meu, eu te cantaria por todas essas orquestras ditadas, as que ouves. Eu cessaria de te fazer música apenas entre a boêmia, eu te gritaria em minhas palavras expostas, não mais as de soberba e orgulho.
Se tu finalmente te fizesses homem em meu leito e me cobrisses com tua cálida pele (ah, essa pele!), eu te faria acolhimento e cuidado. Se tu te fizesses ao menos sorrir por entre meus anseios, eu te faria gargalhada natural e descanso de ideias. Eu te faria meu. Eu te faria feliz.
Eu prometo.
P. S.: mais um devaneio ébrio e sem memórias.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Little shy
Não sei o que há em ti
Que destrói minha autossuficiência:
Seriam teus traços afilados
Ou tua camuflada inocência?
Eu sei que tua presença
Encerra todos os meus segredos,
Pois é só lembrar teu nome
Que me cubro por detrás dos dedos.
Que destrói minha autossuficiência:
Seriam teus traços afilados
Eu sei que tua presença
Encerra todos os meus segredos,
Pois é só lembrar teu nome
Que me cubro por detrás dos dedos.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Ode em prosa à Pessoa que revisa
O revisor é um fingidor. Finge dominar o texto, mesmo sabendo que este o controla. O revisor finge ser inabalável diante das palavras, diante das pessoas. O revisor não pode ser inseguro. Qual empresa vai querer contratar um revisor que não seja preciso? O revisor tem incertezas. Quanto mais se prende às letras, mais dúvidas aparecem em sua caixa de locuções. Ele tem medo do ínfimo erro. Vive dentro de sua casa de vidro, lar artificial e perfeito criado por ele no maravilhoso mundo das técnicas; vive perdido no das ideias. O revisor é normal. Segue tão à risca a norma gramatical que chega a se martirizar quando esta escapa de suas mãos (calejadas pelas canetas). O revisor sente. Sente raiva ao esquecer a vírgula, sente vergonha ao fazer malabarismo para camuflar a colocação pronominal, sente medo de perder o debate morfológico, sente saudade. Saudade de quando podia errar.
O revisor sente. Ele, senhor absoluto e impecável textual, sente tanto que mal escreve. Quando um texto seu flui, acaba preso a um circuito de fórmulas estudadas, cada vez mais longe das emoções das verdadeiras palavras gritadas. O revisor é vingativo. Vinga-se daqueles que sabem descrever os sentimentos, dá apunhaladas com punhais esferográficos vermelhos e despeja toda a correção, detalhadamente, sobre quem é capaz de fazer o que a gramática não o permite.
O revisor tem medo do erro. Os errantes têm medo do revisor; fecham-se em grupos ortográficos erráticos, trocam textos entre si, e o revisor não pode ler. Há o risco da crítica. O que quase ninguém sabe é que o revisor é um errante comedido. É crítico consigo.
O revisor é só.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Cabeça de Rádio
O discurso de que tudo começou lá atrás, com uns 15 anos, já está ultrapassado. O da companhia também. Porque, sim, era muito mais do que ouvir música naquelas tardes calorentas ou noites ensandecidas do Ensino Médio; era uma companhia no meio de toda aquela busca por autoconhecimento juvenil. Quando a música se torna tão parte de ti, quando tu, letra e melodia estão tão intimamente ligados que mais parece uma conversa.
Todos os dias foram com eles, desde então, e a espera foi longa. Mas naquele 22 de março de 2009 havia um sabor diferente. Eram eles, a companhia de tantos anos, eram eles bem de perto, pela primeira vez no Brasil, cantando ou "conversando" cara a cara comigo. Isso já bastava para a satisfação total, mas, para completar, ainda tinham mais 50 "cabocos" ao meu lado, cada um com sua própria história em relação àquela música, com o mesmo objetivo que o meu. Com a mesma emoção. Que viajaram meio país para saciar-se do fim da espera, tal qual fiz. Eu estava em completa companhia.
Hoje, quatro anos depois daquele 22 de março, 11/12 anos após o início de tudo, ainda assisto a este vídeo e sinto o mesmo nervosismo de antes, quando as luzes apagaram (pena que ele não está completo aí).
Podem me chamar de fangirl, eu nem ligo. Sou e assumo. Não sei se algum dia deixarei de ser. Nenhum argumento blasé será capaz de superar o que vivi no melhor dia de todos, durante a melhor viagem da minha vida.
Obrigada, Radiohead, por fazer parte da minha história.
http://www.youtube.com/ watch?v=IU12xg2gmqo&feature=you tube_gdata_player —
Todos os dias foram com eles, desde então, e a espera foi longa. Mas naquele 22 de março de 2009 havia um sabor diferente. Eram eles, a companhia de tantos anos, eram eles bem de perto, pela primeira vez no Brasil, cantando ou "conversando" cara a cara comigo. Isso já bastava para a satisfação total, mas, para completar, ainda tinham mais 50 "cabocos" ao meu lado, cada um com sua própria história em relação àquela música, com o mesmo objetivo que o meu. Com a mesma emoção. Que viajaram meio país para saciar-se do fim da espera, tal qual fiz. Eu estava em completa companhia.
Hoje, quatro anos depois daquele 22 de março, 11/12 anos após o início de tudo, ainda assisto a este vídeo e sinto o mesmo nervosismo de antes, quando as luzes apagaram (pena que ele não está completo aí).
Podem me chamar de fangirl, eu nem ligo. Sou e assumo. Não sei se algum dia deixarei de ser. Nenhum argumento blasé será capaz de superar o que vivi no melhor dia de todos, durante a melhor viagem da minha vida.
Obrigada, Radiohead, por fazer parte da minha história.
http://www.youtube.com/
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